The End II

Eu reservei uns minutinhos do meu precioso tempo para pensar sobre o final da novela e fazer um balanço. Cheguei a conclusão que tiveram mais coisas que não gostei do que gostei. Se no futebol dizem que existem vários técnicos (os torcedores) dando palpites, nas novelas existem vários autores. Sendo assim, faria tudo diferente (pelo menos a maioria das coisas).
A novela foi sobre uma Helena de Manuel Carlos. As Helenas dele têm histórias diferentes, mas são personagens com características parecidas. Mulheres guerreiras, corajosas e que amam intensamente. E completando as Helenas, sempre tem uma história dramática, com questões morais envolvidas, que deixam nós telespectadores tensos e ansiosos para saber o desfeche.
Quando paro para pensar em Helena 2010 o que vejo é uma Helena apática, envolvida numa história super fraca, com poucas cenas intensas, uma Helena que baixa a cabeça, que se humilha, que aceita… e de protagonista virou uma mera coadjuvante?

Aí eu penso: Taís Araújo que não foi competente (óbvio que não seria essa opção) e não soube desenvolver bem o papel, e para recuperar o ibope a novela teve que mudar o rumo, ou as donas de casa se reuniram e bateram o pé firme que não se reconheciam naquela protagonista negra, e com isso se reduziu a importância dela na novela, ou por fim, mas não menos importante, foi apresentado uma Helena negra e jovem a sociedade só para registrar no rol do “politicamente correto” da Globo, uma protagonista negra, mas sem atenção e a importância do que isso significaria, ou seja, não deram a real importância da representatividade dela naquele papel. Bem, meu voto é na última opção.

Acompanhei essa novela de cabo a rabo e tenho segurança em falar que o papel de Helena foi inexpressivo mesmo. Uma personagem, salvo alguns momentos, que poderia passar despercebida, de tão fraco que era o diálogo e a participação nas cenas. Eu acho Taís Araújo uma atriz excepcional e tenho certeza que ela poderia dar muito mais se tivesse uma verdadeira protagonista. A que estaria despertando o brilho nos olhos de meninas e mulheres negras, estando nesse posto de destaque numa novela das oito. Uma mulher moderna, que lutaria com unhas e dentes para manter a carreira de modelo. A Helena que fala, mas age! Imagina a riqueza que seria discutir sobre a negritude no horário “nobre”?? Mas a realidade foi uma Helena sem porto. Sem a importância que no passado foi dada aos outras Helenas do autor.

Mas tristeza era ver as cenas que ela se encontrava com Tereza.

Tereza com seu nariz em pé humilhava Helena, dando as melhores respostas e sempre se saia melhor do que ela em qualquer discussão. Se já não bastasse, até no último encontro delas, Tereza levou a melhor. E pior, Helena como sempre com cara de tacho, acuada, aceitando, aceitando… sem questionar nada. E ainda terminou a novela como a coitadinha que não conseguiu se perdoar. Até a própria Luciana já tinha superado Petra e Helena remoendo isso.

Nem no aeroporto ela conseguiu ir para se despedir (mesmo eu achando que não tinha necessidade nenhuma) de Luciana e Miguel. Bem, se eu fosse escrever tudo que penso a respeito desse papelão que foi a primeira “protagonista” negra do Brasil no horário nobre, levaria dias escrevendo. Então vou ficando por aqui, mas insatisfeita com essa Helena de Manuel Carlos.

Terão outros The End… 😉

Comentários

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Um comentário em “The End II”

  1. Durante o período da novela, quase todos os dias eu ficava chateada com o desenvolvimento de Helena. Eu que sempre fui fã de Manoel Carlos, e vi quase todas as suas Helenas, exceto a mãe de Júlia Lemmertz.

    Só que sexta-feira, eu fiquei arrasada, senti vergonha de Taís Araújo e Helena serem negras como eu. Eu posso ter sido boba, mas tive esperanças de que em algum momento os telespectadores pudessem realmente esquecer a cor da protagonista.

    Isso só seria possível se a tal protagonista fosse tratada como todas as outras que já viveram este papel. Claro, que melhor seria se o autor escrevesse um roteiro que discutisse sim a negritude.

    Mas, o senhor branco, mais uma vez colocou no chão a auto-estima dos negros de consciência. Digo isto, porque tenho ouvido mulheres de cor por aí dizendo que se sentem orgulhosas da atriz em questão.

    Também mudaria muitas coisas, a profissão de Helena poderia ser a primeira. Não por ser contra, mas por acreditar que ele acabou expressando a incapacidade da mulher negra de se afirmar numa profissão que exija mais do seu poder intelectual. Porém, como a decisão já foi tomada, não adiantaria muito reescrever a história.

    Não posso ocupar todos os dias da minha semana para reclamar desta novela!

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