Momento pessoal

Costumo falar aqui dos personagens da novela, da produção, das “culhudas”… Em alguns momentos critico, outros elogio… mas hoje quero falar sobre o tema escolhido para essa novela de Manuel Carlos. Ele tem uma caracteristica de “abraçar” um tema para “acordar” a sociedade. Em “VIver a Vida”, ele fala sobre a tetraplegia. Abordando tratamentos, acessibilidade, acessórios para cadeirantes, sugestões de adaptações, é claro que a realidade da personagem Luciana é bem diferente da realidade de muitos brasileiros, mas já vale a “campanha” para nos fazer pensar sobre o tema.

É claro que a recuperação de Luciana está rápida demais – pelo pouco que sei sobre o assunto e pelos depoimentos no final da novela a realidade é bem diferente – mas um pouco que seja próximo da realidade, nos faz pensar sobre o assunto, ou pelo menos deveria. Logo quando ocorreu o acidente em Petra, fiquei pensando como deveria ser ruim você está subindo as escadas correndo num dia e não sentir as pernas no outro. Bem, com o desenrolar da novela venho tentando captar o melhor das cenas que envolve o tratamente de Luciana, as conversas com os médicos, a importância da família. Minha “vó dinda” é cadeirante e por conviver com ela assim por muito tempo acabei me acostumando, mas nunca parei para pensar na história dela. Um mulher que casou cedo, teve dois filhos, perdeu o marido ainda com os filhos pequenos e que para sustentar a família foi para rua trabalhar.

Como não tinha escolaridade, abriu um bar e tocou a vida. Contra tudo e contra todos criou os filhos. Minha mãe, por exemplo, é uma mulher guerreira. Estudou, se formou em Enfermagem, hoje é independente, uma pessoa alto astral e sempre prestativa. Sei que minha vó teve muita contribuição para essa mulher maravilhosa que minha mãe se tornou. Ainda tenho lembranças de quando minha vó andava. Ela sempre esteve presente na nossa criação.

Com o passar dos anos, ela começou a sentir dores na coluna. Os médicos não sabiam o que era. Aos poucos ela começou a ficar com dificuldade de andar, depois passou a usar bengala, depois cadeira de rodas, mas ainda ficava em pé e ia para cama sozinha, mas depois de um tempo ficou totalmente dependente. Os médicos descobriram bem depois que ela tinha um problema sério na coluna e que infelizmente não tinha cura. Ela nunca se conformou com essa limitação (tem muito mais de 20 anos que ela é cadeirante) e sinto por não ter dado um apoio melhor a ela. Não foi descaso, foi falta de conhecimento mesmo. Bem, essa pequena história de minha vida ressurgiu recentemente aos meus pensamento por causa da novela.

Dizem que novela é futilidade, mas depende muito de quem assiste. Eu adoro novela e estou sempre atenta aos detalhes. Mesmo sendo um “momento alfa” para mim, eu tento tirar uma lição. Por isso acho legal essas “campanhas” que as novelas promovem. Se é para o bem que mal tem, não é? Hoje entendo um pouco esse sofrimento de minha vó e tento ao máximo colocá-la para cima e mostrar para ela que com amor e carinho a vida, mesmo em cima de uma cadeira de rodas, pode ser bela.

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