Além do Tempo

Depois desse período sem escrever no meu querido blog, hoje estou de volta para fechar esse ciclo. Ao longo do caminho alguns percalços fizeram com que meu hobby ficasse de lado. Uma pena. Porque a novela merecia uma atenção especial.

Estava tão atrasada nos capítulos que fiz uma programação para me atualizar antes do fim. E valeu cada minuto reservado a Além do Tempo. Ver o amadurecimento de cada personagem, os erros que se repetem, a capacidade que temos de fazer diferente, julgamentos precipitados, ou até mesmo se dar conta de que algumas pessoas não mudam… mesmo num novo contexto, com uma nova chance, fizeram da novela um grande aprendizado. Claro, um destaque especial a audácia da autora na passagem do tempo mais longa da história. Parece um simples detalhe, mas não é. Foi arriscado. Inovador. A novela vinha num ritmo, já ambientada e caraterizada, absorvida pelo público….e PAN!! Os personagens principais morrem, pessoas infelizes, sozinhas, mortas… 150 anos se passam. Outro cenário, personagens que são os mesmo, mas sem ser… apresentar uma nova dinâmica, novos histórias, novos núcleos… UfA! Muita coisa. E a saudade do século XIX? Se acostumar com as roupas, o linguajar, tudo, tudinho de novo. E permeando isso tudo… manter a audiência. Então por isso, Elisabeth Jhin e sua equipe estão de parabéns.

Mas vamos ao que interessa. O desfeche desse enredo que foi recheada de emoções, com poucos erros de continuidade, poucos personagens sem propósito e com interpretações de cair o queixo. Lê-se nessa última parte: Irene Ravache.

E nada melhor como encerrar com os já conhecidos tópicos:

  • Bento teve uma reta final surpreendente. Odiava ele no passado e continuei achando ele horroroso no presente. Só que dessa vez tinha um porém. Alice. Com um amor incondicional pelo pai. E a grande virada dele foi quando, conversando com Rosa – preso por injúria racial – se mostrou frágil, acuado, envergonhado, humilhado, e questionando suas atitudes. E como a infância está relacionado diretamente com o adulto que se forma, não é?! Claro que a novela abordou questões de vida passada, mas para nós que temos filhos é importante observar esses detalhes. Adorei o final de Bento.
  • Alice também veio mudando ao longo da novela. No início era uma adolescente que idolatrava o pai e destratava a mãe. Chegava a ser chata. Ainda bem que mudou.
  • O que dizer do final de Vitória? Dor. Alívio. E com maestria e dramaticidade ela fez um das cenas mais fortes da novela. Descobrir que a filha que julgava morta estava diante dela: “você não tem ideia do que está se passando por mim nesse momento”. Não, Vitória, não temos idéia. É tudo muito surreal. Então, ter essa chance – no presente – de cuidar da filha, de ser perdoada e colher os frutos que pensou ter perdido deve ser muito bom. E Irene Ravache? Que atriz! Tentei puxar na memória uma cena fraca dela. Não teve. Fiquei impressionada com a força dessa mulher. E como ela conseguiu desmembrar a Vitória do passado com a do presente, mas mantendo sutilezas comuns dos dois personagens. Impressionate. Essa é a apalavra para ela. Virei fã de carteirinha.
  • Achei maior apelação Massimo amar Salomé. Não foi algo sutil. Ele estava precisando mais de uma governanta do que de uma esposa. Tudo bem que ele não tinha esse amor todo por Rosa. O que me desapontou. Porque imaginei que ele tinha um amor repreendido da outra vida. Apesar dele ter feito uma certa vez uma declaração pelo amor que sentia por Salomé. Que maçada!!
  • Gostei de Ariel ter optado em ser anjo. Ele vai contribuir muito mais assim. E fiquei arrepiada quando ele surgiu e ajudou Melissa a resgatar o casal. Representou bem como os anjos agem. 🙂
  • Para Alberto não tinha outro fim. Primeiro, que uma queda daquela pode matar um jovem, imagina um idoso cheio de problema de saúde. Segundo, que ele não cabia mais na relação de mãe e filha. Afinal, ele foi a Belarrosa para morrer com a consciência em paz. Pedir perdão. E quanto mal ele fez, neh? Será que uma pessoa leva mesmo para outras vidas tanto odeio e amargura? Porque não é possível que ele fez uma abominação dessa só porque foi abandonado. Imagina se a moda pega? Ele é um bom ator também. Angustiante ele querendo falar, mas a covardia não deixando. E a morte? Olhos abertos, boca aberta… de arrepiar.
  • Gema e Raul mereciam ficar junto, neh, gente? Sofreram tanto. E ainda formaram uma família linda.
  • Mateus. E os desenhos, e o dom… se perderam um pouco, neh? Pelo destaque que foi dado, a não aceitação dele, a conversa com o mestre… me pareceu que teria um algo mais. Só que não.
  • Melissa estava totalmente descontrolada como antes. Fora de si, mas sabe o que foi diferente dessa vez? A presença da mãe. Nessa vida Dorotéia optou em ficar ao lado da filha. O que não significa concordar e compactuar com as falcatruas dela. Mas estava ali. Para sinalizar suas burrices, a negligencia com o filho, as consequências de seus atos, declarar seu amor por ela… e isso foi fundamental. Melissa se dar conta, a tempo, o quanto Pedro era perigoso já foi uma mudança positiva. Mas a virada veio quando ela teve a chance de dar cabo em Lívia e Felipe, e optou por tentar salva-los. A cena foi massa. Claro que na primeira versão, com ela recebendo uma espadada, foi mais dramático, mas nada que diminua o mérito nos tempos atuais. E a atriz me surpreendeu positivamente. Não gosto da atuação dela, mas para esse papel ela rendeu bons resultados. E a personagem não teve um final ruim. Se tratou e ainda de lambuja ficou rica. Adorei que a autora não tenha inventado um par romântico para ela. Mas me incomodou a macarronada final na casa de Vitória e Zilda (sobre isso falo mais adiante). Tudo bem que foi mais uma confraternização final do elenco, mas ainda estávamos no mundo da novela; ver Melissa toda simpática e sorridente vá lá, mas abraçando carinhosamente Lívia, Felipe e até SEVERA… ahhh foi demais. Essa terapeuta dela vai ficar rica se divulgar um resultado tão louvável num tratamento.
  • E Queiroz?! O final dele foi barbudo, comendo macarronada de Zilda, recebendo um abraço carinhoso do filho e tirando “selfie” com a criançada? Inclusive Chico. Mesmo assim esse aí vai ter que voltar muitas vezes para aprender…
  • Pedro não mudou em nada. Nem era pauta nas conversas dos anjos e do Mestre. Voltou novamente com um amor doentio, sem caráter e ganancioso. Um psicopata… morto. Num devaneio, como seria o retorno dele 150 anos depois de hoje? Parabéns para o ator. Aqueles tiques dele dão um medo danado. E a cena final dele foi muito boa. A loucura transbordando pelos poros. Esse não teve salvação.
  • Achei excelente a amizade consolidada entre Zilda e Vitória. E o melhor, de forma sutil. Bastou elas se conhecerem. Mas daí a morar juntas são outros quinhentos. Tudo bem que Zilda sempre cobrou os convites nas festas ou simplesmente para uma tarde de chá, mas MORAR JUNTAS? Muito, neh? Ainda mais elas numa certa idade, que são apegadas “ao meu canto”. Bom, mas final de novela tem dessas coisas, neh? Mas, produção, para reunir a família, fazer macarronada, elas não precisam estar de baixo do mesmo teto. 🙂
  • Emília e Bernardo tiveram bons momentos, mas o casal perdeu um pouco do brilho da vida passada. Ainda bem que teve o acidente para animar esses dois. Bernardo reavaliar as atitudes da amada num contexto mais amplo, a angustia dela não acordar e a tristeza dele, deram uma corada no casal. Mas ai veio o pedido de casamento. Meio chocho, neh? Mas vou dar um desconto. Afinal, a mulher estava em coma e para que perder tempo, neh? Falando sobre Emília, a atriz conseguiu expressar bem essa mudança entre a Emília sombria, rancorosa, com a Emília sem odeio no coração. Ter a sensação boa de que sempre foi amada pela mãe. Não abandonada.
  • Com exceção de Dorotéia que na reta final arranjou um par, a autora foi feliz em optar em não achar par para todo mundo. Até mesmo Berenice que estava de flerte com o quase médico acabou linda, sorridente e solteira. Roberto embarcou numa boa causa. Esse aprendeu. Apesar de ter ficado meio sem sentido, foi bacana aparecer Bianca no final. Afonso e Anita nem aproveitaram enlace matriminial e já vão ter filho?! Ahh se eles soubessem como é punk ter um rebento logo no início do casamento. Deveriam ter curtido mais os vinhedos e a Osteria.  🙂
  • Angustia ver Felipe e Lívia perto daquele penhasco. Quase grito: saiam daí!!! E mais uma vez a história se quase repete. Foi tudo bem montado, a tensão, o olhar de desespero, de suplica… a chegada de Melissa, a luta entre ela e Pedro, a morte dele, o segundo de excitação de Melissa, o desespero em não aguentar Lívia e Felipe, e o alívio da ajuda do anjo. Ufa! Esses dois merecem ficar juntos. Afinal, esperaram por uma vida. Adorei o final. A última cena. Só eles. Juntos, se tocando, se beijando, mostrando o passado e o presente… algo que foi muito bem feito ao longo dessa segunda etapa. Inclusive com frases ao final da novela. E para hoje escolheram uma mensagem de Chico Xavier.

É isso. Foi um final sem surpresas mirabolantes, o que vem sendo uma tendência nas novelas da Globo; o que não diminui em nada a emoção e a sensação boa de ter acompanhado um trabalho bem feito. Agora é esperar uma próxima. Até lá.

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